10 de Outubro – Dia Nacional de Luta contra a Violência à Mulher

Até julho de 2022, o Brasil acumulou 31 mil denúncias de violência doméstica contra as mulheres. Além das agressões físicas, existem muitas outras violências não ditas

Desde 1980, o dia 10 de outubro tornou-se, no Brasil, o “Dia Nacional de Luta contra a Violência à Mulher”.

O movimento teve início em São Paulo, quando várias mulheres se reuniram nas escadarias do Teatro Municipal, para protestar contra o aumento de crimes de gênero praticados no país.

Depois dessa ação, várias leis foram criadas na tentativa de proteger as mulheres, como a Lei Maria da Penha e a Lei do Feminicídio.

Mas sabemos que na prática, infelizmente, nem sempre é possível.

A especialista em Diversidade e Inclusão Sônia Lesse, diretora de experiências da Profissas, escola que atua com Educação Corporativa e Diversidade, explica que o termo “Violência contra a mulher” não se limita apenas ao ato físico.

“São diversos tipos de violência que acontecem sistematicamente no Brasil e no mundo por questões de gênero. Atos que resultam em danos psicológicos, emocionais, financeiros, entre outros. São formas de  violência, que também abarca outras interseccionalidades como agressões contra mulheres transexuais, travestis e homossexuais. Independente do tipo de agressão cometida, os direitos humanos da mulher e sua integridade física, psicológica e moral são desrespeitados todos os dias”.

A violência presentes nas empresas e demais espaços sociais

A violência pode ser uma realidade distante para algumas pessoas, mas ela está presente de várias formas e, muitas vezes, silenciosamente.

Há violências, por exemplo, que nem sempre são vistas como tal, como é o caso das microagressões. Elas podem ser abertas ou encobertas.

A primeira diz respeito aos ataques diretos, palavras ou atos que se destinam a magoar deliberadamente ou fazer a mulher sentir-se mal.

A segunda se refere às violências camufladas, já que quem comete não possui a intenção de magoar.  São consideradas um pouco diferentes de atos ou comentários abertamente discriminatórios.

As microagressões são situações que reforçam desprezo, depreciações e insultos diários  contra as mulheres e outros grupos sub representados, em diferentes contextos sociais.

Frases como “você está de TPM”, “mulher precisa se dar ao respeito”, “mulher no volante, perigo constante”, “até que você é uma negra bonita” e “ você uma gorda com o rosto bonito” são muito comuns no dia-a-dia delas.

Essas expressões representam preconceitos e estereótipos que a sociedade carrega, que ofendem as mulheres ao nosso redor, ainda que pareçam frases ou comentários normais.

“Precisamos estar atentos a essas violências, inclusive no ambiente corporativo. Muitas vezes elas ocorrem de maneira inconsciente, mas não é por isso que deixam de ser prejudiciais e ofensivas. O que pode soar como uma frase simples e bem-intencionada pode, ao mesmo tempo, estar carregada de estereótipos e até mesmo de vieses inconscientes”, destaca Lesse.

Nas organizações, o setor de RH e as lideranças devem ficar atentos às situações de micro agressões, pois são mais comuns do que imaginamos.

As empresas precisam ser um ambiente de acolhimento para todas as pessoas, mas nem sempre é o que acontece.

A gerente de produto Luanna Teofillo, por exemplo, foi vítima de racismo em uma de suas experiências profissionais.

Em 2016, Luanna Teofillo estava em seu período de experiência como business developer em uma empresa de comunicação corporativa.

O ambiente de trabalho era permissivo com piadas e comentários racistas, até que culminou com a discriminação por parte da gerente geral quando a funcionária trançou seus cabelos.

Diante de toda equipe, a presidenta da empresa exigiu que a funcionária tirasse as tranças pois, segundo ela, não aguentava mais. Disse três vezes para tirar “isso”.

De lá pra cá, a empresária e gerente de produto  vem sofrendo uma perseguição jurídica por ter denunciado o racismo sofrido em seu ambiente de trabalho, além de ser impedida de divulgar seu caso na mídia.

Só recentemente conseguiu, após diversas sentenças positivas, o direito de se expressar e denunciar o fato ocorrido, através de uma denúncia ao Conselho da Comunidade Negra e indígena.

O que aconteceu com Luanna é o que chamamos de Lawfare.

O termo americano vem ganhando espaço nas mídias brasileiras e significa a utilização da lei e de procedimentos legais para perseguir desafetos e encobrir comportamentos nocivos e criminosos.

Dessa forma, o sistema judiciário é utilizado para dar aparência de legalidade à perseguição de inimigos declarados.

Luanna conta que muitas pessoas vêm até ela e perguntam se vale a pena entrar na justiça contra uma empresa.

“Tudo que eu passei me faz acreditar que sim, vale a pena lutar pelos nossos direitos.  Eu entendo também quem não se expressa, pois o mundo não é lugar fácil para as pessoas pretas e outros grupos sub representados. Sofremos muitas repressões e somos julgados simplesmente por sermos quem somos. Quem denuncia também pode sofrer violências e, por isso, muitas vezes passamos por cima de uma situação e seguimos em frente, mesmo com dor e indignação”.

Ela fala sobre a sua vontade:

“O meu desejo é deixar um legado para que outras pessoas consigam garantir seus direitos. Por mais difícil que seja, abrir lugar para contar minha história e de outras pessoas que passaram ou passam pela mesma situação demonstra que temos uma missão de conquistar espaços mais respeitosos e igualitários para todos os indivíduos. Eu escolhi contar, pois o racismo não deve ser poupado: ele é  mais do que um crime, é coisa abominável que precisa acabar agora mesmo, antes que ele acabe com a vida de muitas pessoas”.

Mais violências: conheça os termos mansplaining, manterrupting e gaslighting

É preciso que as pessoas tomem consciência do problema da invalidação recorrente que as mulheres sofrem em público, principalmente por parte dos homens.

São muitos termos que desacreditam a fala das mulheres, evidenciando o machismo como mecanismo social que se entranha em comportamentos que, por desconhecimento, julgamos naturais.

O manterrupting é a junção das palavras inglesas “man” (homem) e “interrupting” (verbo interrompendo). Ou seja: é quando um homem interrompe uma mulher de forma desnecessária, conscientemente ou não.

O mansplaining é uma explicação detalhada por um homem de um assunto óbvio, como se uma mulher não fosse capaz de entender algo complexo (ou até mesmo óbvio).

Já o gaslighting é uma manipulação psicológica que leva a mulher a crer que está louca, desequilibrada ou equivocada sobre determinado assunto, sobretudo, quando ela tem razão.

“É importante que as mulheres tenham conhecimento dessas microagressões. Afinal de contas, elas buscam destituí-las do protagonismo de suas próprias vidas e do âmbito social.

No caso dos homens, eles precisam refletir sobre o assunto, avaliando se em algum momento de suas vidas eles praticaram essas formas de violência. Certamente, sim!

Nesse caso, precisam reconhecer essas agressões para serem aliados em uma sociedade que busca mais igualdade e respeito para nós mulheres, explica Sônia..

Os desafios são maiores para mulheres negras

Em pesquisa de 2022, a comunidade Potências Negras® e a Shopper Experience realizaram um estudo inédito com 812 mulheres negras (acima de 18 anos, classes A, B, C, D e E), revelando dados que  reforçam as disparidades existentes no ambiente corporativo e também em outros espaços sociais.

Na pesquisa, quando perguntaram sobre os desafios no mercado de trabalho, 89% das entrevistadas disseram ter encontrado entraves em suas profissões e carreiras.

O preconceito racial é um dos pontos que lidera o ranking.

Infelizmente, sabe-se que a luta pela equidade não é de hoje e está longe de acabar.

Além dos problemas que encontram na sociedade por serem mulheres negras, quando conseguem a tão sonhada oportunidade, o racismo se mostra evidente mais uma vez.

Na pesquisa, 62% delas disseram ter sofrido discriminação no mercado de trabalho.

E não para por aí:  40% das mulheres foram discriminadas mais de uma vez.

Os dados listados acima reforçam uma urgência: é necessário unir esforços da sociedade para discutir esses problemas e traçar estratégias em médio e longo prazo, com medidas que vão resolver, de fato, o abismo da desigualdade de gênero, principalmente entre as mulheres negras.

Profissas: a sua escola da Diversidade

A Profissas se apresenta como Escola da Diversidade.

Ela atua com foco no desenvolvimento de habilidades humanas, ou socioemocionais, olhando especialmente para os grupos sub-representados, além de educar lideranças e demais colaboradores para a inclusão acontecer de verdade.

Com foco no público feminino, a Profissas busca apoiar a resolução do problema da desigualdade de gênero dentro das organizações por meio do Programa Lidera Mulheres e do Programa Mulheres Profissas.

O Programa Lidera Mulheres tem como foco a formação e o impulsionamento de lideranças femininas.

O objetivo é que as participantes saiam poderosas e preparadas para serem excelentes líderes em suas carreiras.

Nesta experiência, elas entrarão em contato com mulheres incríveis que conduzirão conteúdos como comunicação, planejamento, saúde emocional, habilidades e performance.

O Programa Mulheres Profissas busca desenvolver habilidades que as ajudarão a alavancar suas carreiras.

Para se tornarem profissionais de sucesso, as mulheres passam por uma jornada de conhecimento permeada por autoconhecimento, gestão emocional e financeira, marketing pessoal e muitos outros assuntos.

A Profissas também cocria eventos gratuitos para a comunidade, como é o caso do Potências Negras Mulheres, que contou com mais de 15 mil participantes em sua edição de abril de 2022.

O objetivo foi empoderar a carreira de mulheres negras,  com um dia inteiro de conteúdo online e gratuito, conexão com empresas aliadas, repletas de oportunidades exclusivas de trabalho e desenvolvimento para elas.

A violência de gênero é um problema sistêmico que precisa ser efetivamente enfrentado, dentro e fora das empresas.

É papel da sociedade como um todo, na esfera pública e privada, reconhecer a importância da pauta e cumprir seu papel de pessoa aliada rumo a um país mais equânime, respeitoso e sem violências.

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