IA pra atrapalhar ou impulsionar? Depende dessas escolhas!
Visão Profera·Agosto 2026
Depois de testar dezenas de soluções de IA no meu dia a dia e no trabalho, percebi que o resultado que cada pessoa extrai tem menos relação com usar tudo que aparece de novo e muito mais sobre uma boa curadoria.
Willian Marcucci
expert em design, processos e IA | consultor parceiro Profera Educação
Se fizermos duas perguntas importantes, a primeira: quantas ferramentas de IA você testou nos últimos doze meses? É certo que várias pessoas vão levantar a mão. Mas o segundo questionamento é o que quebra a expectativa: quantas delas continuam na sua rotina hoje, resolvendo um problema real do seu trabalho? Será que a maioria vai responder com uma positiva? Pelo que observo, a resposta é não.
Nunca tivemos tanto acesso à tecnologia e, ao mesmo tempo, tão pouca clareza sobre o que fazer com ela. Surge uma novidade por semana, corremos para experimentar, e semanas depois voltamos ao mesmo repertório de sempre: pedir um texto pronto, resumir uma reunião, responder um e-mail com mais agilidade. São usos legítimos, mas ocupam uma fração mínima do que essa tecnologia é capaz de entregar a uma carreira ou a uma gestão.
Ao longo dos últimos anos, acompanhando profissionais e lideranças nessa transição, cheguei a uma conclusão que organiza todo o meu trabalho: a inteligência artificial pode atrapalhar ou impulsionar a sua trajetória, e o desfecho depende de três capacidades que qualquer pessoa pode desenvolver: critério, clareza e discernimento. Antes de destrinchar cada uma, porém, preciso encarar o receio que aparece em toda conversa sobre o tema.
Capacidade 01
Critério
O que merece o seu tempo entre tantas novidades.
Capacidade 02
Clareza
Saber explicar bem o que você quer para tirar o melhor proveito da ferramenta.
Capacidade 03
Discernimento
Saber diferenciar o que é trabalho para IA e onde entra o fator humano.
O medo direciona o olhar para o lado errado
“A IA vai tirar o meu emprego?” é a pergunta que escuto com mais frequência, e ela merece uma resposta honesta: muitos cargos deixarão de existir. Mas, calma, um número bem maior de posições vai surgir também. O Fórum Econômico Mundial projeta que, até 2030, o mundo do trabalho se reorganiza numa escala impressionante:
Postos eliminados até 203092 mi
Novos postos criados até 2030170 mi
O saldo geral é positivo, mas convém ler esse número com atenção: os novos cargos exigem habilidades diferentes dos anteriores.
A vaga de quem se recusa a aprender não será ocupada por uma máquina. Será ocupada por um profissional que aprendeu a trabalhar com ela.
Quando observamos o mercado brasileiro, o movimento fica ainda mais evidente:
188%
foi o crescimento das vagas que exigem competências em IA no Brasil em um ano: de 63,3 mil em 2024 para 182,3 mil em 2025, segundo o Barômetro Global de Empregos em IA 2026, da PwC.
Diante de um cenário assim, gastar energia temendo a tecnologia produz muito pouco. A energia bem investida vai para outro lugar: desenvolver as três capacidades que determinam se a IA vai trabalhar a seu favor.
Critério: escolher poucas batalhas e vencê-las
A primeira capacidade responde a uma pergunta simples de formular e difícil de praticar: entre tantas novidades, o que merece o seu tempo? Quem não tem critério vive em estado de experimentação permanente. Testa tudo, adota quase nada e termina o ano com a mesma rotina de sempre. Proponho quatro filtros antes de incorporar qualquer ferramenta:
01
Que problema meu ela resolve?
Se a resposta começa com “todo mundo está usando”, vale parar por aí. Uma ferramenta ganha lugar na rotina quando ataca uma dor concreta do seu trabalho ou do seu time.
02
Ela amplifica ou apenas substitui?
Os melhores usos reservam à IA o trabalho pesado e a você o trabalho fino: o julgamento, o ajuste, a assinatura. Quando o resultado sai sem passar pelo seu crivo, quem perde valor é você.
03
Eu voltaria a usar na próxima semana?
O teste é de recorrência, não de novidade: ferramenta que fica é aquela que você usa por vontade própria pelo menos três vezes em quinze dias, porque resolve algo que volta toda semana. Se o uso não se repete, descarte sem culpa e siga adiante.
04
Eu consigo explicar o que ela fez?
Por mais que a IA assuma boa parte da execução, você precisa ter visão geral e algum domínio do assunto para balizar o resultado e separar o que é entrega correta do que é apenas ruído bem escrito. Quem apresenta um resultado sem saber explicar como chegou até ele terceirizou a responsabilidade junto com a tarefa.
Repare que nenhum dos filtros exige conhecimento técnico avançado. Exigem aquilo que sempre sustentou as boas decisões de carreira e de liderança: clareza sobre onde se quer chegar.
Clareza: explicar bem virou habilidade de mercado
Passar pelo filtro do critério resolve metade do problema. A outra metade é saber explicar bem o que você quer. Quem estrutura um bom pedido (define o papel que a IA deve assumir, o contexto, o formato e a expectativa sobre o resultado) extrai em uma tentativa aquilo que outra pessoa não alcança em dez. E essa mesma habilidade vale muito além da IA: explicar bem melhora briefings, delegações e conversas com o time.
É aqui que a distância entre o uso superficial e o uso estratégico aparece com nitidez:
Uso superficial
Uso estratégico
Pede respostas prontas
Constrói processos com a IA dentro
Testa toda ferramenta nova
Domina poucas e as integra à rotina
Copia e cola o resultado
Revisa, questiona e assina o resultado
Esconde que usa
Compartilha práticas com o time
Na gestão, oriento a levar a IA para o coração do trabalho. São três aplicações que transformam a rotina de quem lidera:
Preparar conversas importantes
Antes de um feedback delicado ou de uma negociação com a diretoria, a IA ajuda a organizar os fatos, antecipar reações e ensaiar abordagens. Para isso, ela precisa receber o contexto: histórico da relação, o que já foi combinado, o objetivo da conversa e os limites do que pode ser dito. Sem esse contexto, a sugestão vem genérica. E vale sempre checar as regras da empresa sobre quais dados podem ser compartilhados com a ferramenta. A conversa continua sendo humana, apenas chega mais bem preparada.
Ler e analisar os dados do time
Pesquisas de clima, avaliações de desempenho e indicadores ganham uma primeira camada de análise em minutos, liberando o gestor para cruzar essas hipóteses com aquilo que somente ele conhece: o contexto e a história de cada pessoa.
Simular cenários de decisão e riscos
Reestruturações, mudanças de processo e priorização de projetos se beneficiam de uma IA que organiza variáveis e aponta riscos. Vale um alerta que pouca gente considera: por mais generativa que seja, a IA responde a partir de padrões que viu no treinamento. Em cenários inéditos, com pouco contexto ou que pedem uma solução fora da curva, ela tende a entregar o caminho mais provável, não o mais criativo. A decisão em si, com seus dilemas e seus impactos em gente de verdade, permanece com quem lidera.
Na carreira, o raciocínio se repete com outra roupagem, e a IA assume três papéis:
Papel 01
Tutora particular
Acelera o aprendizado explicando temas da sua área no seu nível e testando o seu entendimento. Diga a ela qual é a sua área, o seu nível atual e onde você quer chegar: sem esse contexto, a explicação sai genérica.
Papel 02
Pesquisadora
Mapeia as competências mais pedidas nas vagas que você almeja e ajuda a montar um plano para fechar as lacunas do seu perfil.
Papel 03
Sparring partner
Como parceira de treino, simula entrevistas, apresentações e negociações salariais antes que você precise vivê-las (um dos usos mais subestimados que conheço).
Vale registrar que esse movimento já começou, com ou sem a orientação das empresas:
78%
dos profissionais que usam IA levam as próprias ferramentas para o trabalho, segundo o Work Trend Index da Microsoft. Isso pode acontecer com ou sem orientação da empresa.
Discernimento: onde o fator humano prevalece
A terceira capacidade é a mais estratégica das três, porque olha para o longo prazo. Se a IA lê dados, escreve, resume e sugere caminhos, o profissional precisa se perguntar onde está o seu valor daqui em diante. A resposta que defendo: no território que segue exclusivamente humano.
Empatia
Compreender o que a outra pessoa precisa antes mesmo de ela verbalizar.
Análise de contexto
Discernir o que faz sentido nesta empresa, neste momento, com estas pessoas.
Decisão
Escolher diante de dilemas que envolvem valores, riscos e gente, que jamais caberão inteiros em uma planilha.
A IA apoia muito nesse caminho: lapida os dados, organiza as variáveis, traz sugestões de estratégia. Ainda assim, precisa haver um ser humano ali para conectar as pontas, atribuir sentido ao que os números mostram e assumir a responsabilidade pelo que se decide. Ter discernimento, na era da IA, significa construir a carreira exatamente nessa fronteira: dominar a tecnologia o suficiente para multiplicar a própria entrega e cultivar as habilidades humanas que dão à entrega o seu valor final.
O profissional que vai mandar bem nos próximos anos combina, com naturalidade, os três núcleos de habilidades do agora: as humanas, as gerenciais e as digitais.
Da reflexão à prática: como desenvolvemos isso nas empresas
Critério, clareza e discernimento se desenvolvem como qualquer competência: com formação estruturada, prática acompanhada e um ambiente que estimule a experimentação segura. É justamente esse o trabalho da Profera, a marca do desenvolvimento profissional. A Profera apoia médias e grandes empresas a desenvolver seus talentos com as habilidades do agora (humanas, gerenciais e digitais), construindo uma cultura impulsionadora e inclusiva dentro das organizações. Quando esse ambiente frutífero e seguro se estabelece, as pessoas encontram condições reais de alcançar uma alta performance sustentável, gerando mais valor para si e para o negócio.
A Profera desenha treinamentos multiformato e trilhas de formação completas que conectam inteligência artificial e tecnologia com carreira, liderança e RH. O propósito é tirar o receio do caminho e transformar a IA em uma ferramenta realmente efetiva para as necessidades de cada negócio e de cada jornada profissional. Alguns exemplos do que temos levado às empresas:
Lidera Pro IA
InteligêncIA Humana e Digital
Lideranças e gestores
Uso da IA no preparo de conversas, leitura de dados do time e simulação de cenários de decisão, sem abrir mão do fator humano na liderança.
IA na Carreira
Visão e Ferramentas
Talentos em desenvolvimento
Critério para escolher ferramentas, clareza para extrair o melhor delas e aprendizado acelerado na era da IA.
RH Experts IA
Ética e método em people analytics
Times de RH e DHO
Aplicação de IA em recrutamento, clima, desenvolvimento e people analytics, com ética e método.
IA: Curadoria e Prática
Sob demanda real da empresa
Equipes multifuncionais
A empresa apresenta oportunidades ou demandas reais de uso de IA e capacitamos o time para compreendê-las e aplicá-las de forma autônoma e inteligente.
Cada formação nasce de um diagnóstico do contexto da empresa, porque a mesma ferramenta que impulsiona um negócio pode ser irrelevante para outro, e essa leitura fina, convém dizer, continua sendo um trabalho profundamente humano.
Quer preparar a sua liderança e os seus talentos para a era da IA?
Se você atua no RH de uma média ou grande empresa, a conversa inicial é gratuita: analisamos juntos como o seu time usa a IA hoje e desenhamos a trilha de desenvolvimento certa para o seu contexto.
Expert em design, produto, processos e IA · Parceiro Profera Educação
Formado em publicidade e propaganda e autodidata em tecnologia e inteligência artificial, Will tem mais de 15 anos de mercado. Atualmente é especialista de design, produto e IA na Advolve/iFood, responsável pela automatização de processos e escalabilidade de entregas no hub de mídia e ads da companhia.
Design & produtoProcessosInteligência artificial
@proferaedu
Fontes
World Economic Forum, Future of Jobs Report 2025 · PwC, Barômetro Global de Empregos em IA 2026 · Microsoft, Work Trend Index 2024.